Caderno de Resumos

Colóquio Internacional Barthes Plural
23 a 26 de junho de 2015

Caderno de Resumos

AGOSTINHO, Larissa Drigo | Universidade de são Paulo
Barthes político: Escrever maio de 68

Em 1968 Barthes escreveu “L’écriture de l’événement”, um artigo onde são descritas três maneiras através das quais o acontecimento, maio de 68, foi escrito, três escrituras que tornaram este acontecimento original e singular na História.
Barthes procura responder as seguintes perguntas: “Como escrever um acontecimento?” “O que significa uma escrita do acontecimento”. Estas questões pressupõem evidentemente, que o acontecimento foi escrito. Portanto, a questão que buscaremos responder aqui é justamente esta, o que significa dizer que um acontecimento se escreve ou é escrito?
Não se trata de traçar o caminho dos significantes ou o significado dos termos em questão, de decifrar a escrita de Barthes, ou o sentido de sua fala, mas sim de pensar com Barthes o que é a escritura, e de que maneira a escritura pode adquirir um sentido eminentemente político no interior da História, escrevendo um acontecimento singular.
Que escrita é esta que transforma a História e seu sentido? A escritura pode ser pensada como um acontecimento?
Veremos que para responder esta pergunta Barthes traça três práticas, três escrituras: a fala (parole), o símbolo e a violência.
Considerar que tomar a palavra é um ato da escritura, assim como a violência da rua ou o emprego de símbolos significa que a semiologia barthesiana vai muito além da linguagem artística (literatura, fotografia, pintura), como já havia atestado, aliás, Mythologies. A escritura não descreve unicamente o ato de escrever; escritura também não é a uma prática corporal ou individual; a escritura também não é uma experiência meramente formal restrita a linguagem escrita, mas um conjunto de práticas coletivas.
Esta é a ideia que pretendemos apresentar neste texto, um Barthes político que pensou a escritura muito além da escrita, e que se preocupava com o que a literatura e outras práticas de escritura eram capazes de realizar, concretamente.


ALVARADO, Marcelo Villena | Universidad Mayor de San Andrés
“La Chambre claire” y la tercia forma: gestos dantescos de RB

En “Longtemps je me suis couché de bonne heure” (1979), en cuyo centro aparece el íncipit de la Commedia, Barthes sienta el modelo “tierce forme, ni Essai ni Roman”. Obviamente allí es cuestión de La Recherche…, pero también del horizonte del texto rapsódico, “cosido”, y del arte de la costurera que en ese momento adopta su propia escritura. ¿El de la novela simulada en el seminario La préparation du roman? El de la preparación de La Chambre claire y los esbozos de Vita nova, en todo caso, donde una serie de alusiones dantescas ha sido ampliamente reconocida: he must also have imagined rewriting Dante (D. Knight en “Maternal Space”, 1997). Pero la tercia forma es evocada ya en 1968, ante Drame de Philippe Sollers, cuando Barthes celebra en la Vita nuova de Dante cierta “confusión” (de géneros: memorias, novela, poema) que también aprecian los lectores de La Chambre claire (búsqueda del noema de la fotografía y recorrido órfico hacia la Muerte y la Muerta). Así, vale la pena no sólo imaginar a Barthes reescribiendo a Dante, sino leerlo en ese afán a flor de texto, allí donde la tercia forma emula la tercia rima. En mira está el “otro Barthes”, el escritor que no pudiendo reescribir La Recherche… habría escrito no solamente el Contre Sainte-Beuve abandonado por Proust (Marty) sino también una Vita nuova. En La Chambre claire, concretamente, “texto cosido” según el deseo de una imagen no hecha de mano de hombre, pero mediante una figura sí hecha de mano de hombre: el gesto semiográfico explorado en los setenta realizado desde cierta disposición propia a ese artefacto que permitía dibujar un objeto a través de un prisma, un ojo sobre el modelo, el otro sobre el papel: una cámara lúcida, precisamente.


ARBEX-ENRICO, Márcia | Universidade Federal de Minas Gerais
Barthes, a escrita e a “escrição”

Em “Variações sobre a escrita”, texto de 1973, Barthes se volta para a história da escrita privilegiando o sentido manual, o “ato muscular de escrever, de traçar letras”, definido por ele pela palavra “escrição”. Trata-se, portanto, do “gesto pelo qual a mão segura um instrumento (…), apoia-o numa superfície, por ela avança pesando ou acariciando, e traça formas regulares, recorrentes, ritmadas (…)” (Barthes, Inéditos vol.1, 2004). Nosso objetivo é discutir essa noção de “escrição” na obra de Barthes em sua vertente de operador teórico para a análise que o próprio escritor faz da obra de artistas plásticos em L’Obvie et l’obtus, de sua experiência no Japão em L’Empire des signes, bem como de sua concepção da letra no alfabeto ocidental. A “escrição” tende a se aproximar, nesse sentido, de uma concepção ideogramática da escrita, em que as noções de vazio, de suporte e de intervalo ocupam um lugar de destaque.


BARBOSA, Márcio Venício | Universidade Federal do Rio Grande do Norte
O crítico diz: eu

A Nouvelle Critique trouxe, em meados do século XX, um novo olhar para o tratamento do texto literário, opondo-se, sobretudo, à prática da crítica baseada em juízos de valor. Entretanto, a nova crítica não se fez com isenção total do sujeito, ainda que atribua grande importância ao conceito de imanência. Longe de se ocultar, o crítico se mostra sem falsos pudores e, no caso de Roland Barthes, que aqui nos interessa, diz “eu” repetidas vezes, no exercício daquilo que viria a ser chamado “escritura”. Procuraremos aqui destacar algumas dessas manifestações do “eu” na obra crítica de Roland Barthes, considerando os livros que ele mesmo organizou e publicou em vida.


BELLOCCHIO, Carolina Molinar | Universidade de São Paulo
Rasgos na língua ou enunciação e escritura

Este trabalho tem por objetivo refletir a respeito da inaugural proposição barthesiana de como a escritura se funda no rasgo que o sujeito impõe à língua, presente n’O grau zero da escrita, e que parece ser amplificada nos textos posteriores à metade dos anos 60 como uma forma do sujeito linguístico se inscrever no mundo. Ora, se a questão da “moral da forma” já configurava o cerne da reflexão de Barthes nos anos de 1950, na década seguinte esse questionamento o interessa sobremaneira, o que faz com que suas pesquisas se adensem no modo como o escritor Barthes imprime o seu “rasgo” na língua. Considera-se que o texto entendido como produção tenha se acentuado a partir do final dos anos 60 coincidindo com essa ideia de manipulação do texto pelo escritor as pesquisas de Benveniste. Assim, acredita-se que as noções a respeito da enunciação tenham tido para ele interesse especial. Nesse sentido é que este trabalho pretende explorar como a noção de enunciação para Barthes aporta um grande operador para arejar a sua ideia de Texto que, a partir do final dos anos 60 e início dos 70, é sintomaticamente marcada por manobras enunciativas que exploram a forma não mais através da metalinguagem, mas da sutileza da coabitação de vários discursos, da fragmentação, do prazer, da força do significante, associados à ventilação do discurso pelo abalo pela pontuação, pela quebra da frase, no uso de subordinadas, na ampliação pelo uso de parênteses, etc.. Assim, pretende-se refletir como a assunção do lugar da enunciação amplifica a discussão da “moral da forma” a partir da ideia de inscrição do sujeito na língua, pela disseminação que esse produz e na efetivação de uma responsabilidade da forma por esse mesmo deslocamento.


BERGONZONI, Gisela Anauate | Université de Rennes II
Barthes e Musil, como viver junto: as “tabelas literárias” de Gonçalo M. Tavares

Gonçalo Tavares, um dos escritores mais inventivos da literatura atual, trabalha em sua obra uma relação intensa com a de Roland Barthes. As reflexões de Barthes sobre o indivíduo e a linguagem, a leitura, a autoria e a tensão entre a forma romance e o fragmento ecoam em boa parte do trabalho do autor português, no limiar entre ensaio e ficção. É o caso especialmente de “Roland Barthes e Robert Musil”, texto disposto em tabelas de dimensões variadas (que Tavares chama de “tabelas literárias”), em que as ideias de Barthes se confrontam com excertos de romances do escritor austríaco. Como podem Barthes e Musil viver juntos no texto de Tavares? Essa é a pergunta que gostaria de tentar responder nessa comunicação. Gostaria de propor uma análise das forças em jogo (formais, visuais e semânticas) nessas “tabelas literárias”, cujas células são compostas de pequenos trechos ficcionais, menções a Barthes, Musil e a outros autores (de Harold Bloom a Pasolini), máximas que flertam com o absurdo. As reflexões de Tavares transbordam as linhas e colunas, como se o autor se colocasse regras de um jogo à la Oulipo que ele se apressa em transgredir, e questionam as formas literárias e o papel do escritor – problemas barthesianos por excelência. A análise desse texto nos permitirá jogar novas luzes sobre a obra de Barthes, a partir do olhar oblíquo de Tavares. Como ele escreve em uma das células de suas tabelas: “O que me interessa em Roland Barthes é o modo de colocar a palavra em diagonal, como se assim ela fosse capaz de interromper o tráfego normal dos discursos”.


BORGES, Contador | Université Paris Diderot – Paris VII
A erótica textual de Roland Barthes

Um deslocamento operado por Roland Barthes nos anos setenta incomoda os intelectuais franceses, tanto os conservadores de direita, quanto os contestadores de esquerda. Tal deslocamento se faz, sobretudo, com base na noção de corpo e se efetua, de forma mais explícita, no Prazer do texto, obra na qual Barthes distingue duas experiências de leitura: a dos textos de prazer propriamente ditos, que não rompem com a cultura e a afirmam, comprazendo-se com seus códigos, e a dos textos de gozo (jouissance), que desestabilizam radicalmente os parâmetros culturais, tirando o leitor de seu lugar de conforto. Segundo Barthes há vários corpos na cultura, na sociedade (o dos anatomistas, o dos fisiologistas, o dos gramáticos, etc.), dentre os quais ele destaca o corpo feito de relações eróticas, com o qual relaciona, por sua vez, o corpo textual, dizendo que, se o corpo tem uma forma humana, ela pode ser vista como um anagrama do corpo erótico. Esta comunicação propõe discutir a noção de corpo enquanto operador da erótica textual barthesiana. Nesta, não é o sujeito ou os designativos da pessoa que sobressaem, mas o corpo, através da experiência escritural de prazer ou de gozo, pois, diz Barthes, o corpo segue “suas próprias ideias”, e o corpo “não tem as mesmas ideias que eu”. Cabe assim interrogar em que consiste esse agenciamento tão paradoxal quanto intrigante.


BRANDINI, Laura Taddei | Universidade Estadual de Londrina
Roland Barthes ao encontro do estrangeiro – Japão

Ao escrever sobre o Japão em vários artigos e ensaios, entre 1967 e 1970 e, sobretudo, ao criar o “sistema Japão” em O Império dos signos, Roland Barthes adota uma postura eminentemente comparatista: compara o que vê, aprende e experimenta da cultura japonesa com a cultura ocidental, que é a sua. Por meio desse gesto, Barthes se insere numa longa tradição de viajantes – tantos deles escritores! – que desempenharam o papel de mediadores entre duas culturas. Se, por um lado, os textos barthesianos sobre o Japão refletem o deslumbramento proporcionado pela descoberta do estrangeiro, nos quais o escritor descreve longamente costumes, espaços, pessoas, repetindo certas formas de escrita frequentemente presentes na dita “literatura de viagem”, por outro, eles evidenciam uma busca apenas iniciada em terreno estrangeiro, que conduzirá Barthes a uma expedição em direção a novos caminhos de escritura. Pois o encontro com o estrangeiro, para o escritor, concretizado no espaço cultural japonês, permitiu-lhe, por meio do olhar comparatista atento à diferença, destacar uma particularidade: o Ma japonês, noção intervalar que recobre tanto os espaços vazios da casa, quanto a suspensão do tempo presente nos haicais. A descoberta do Ma domina toda a escritura barthesiana sobre o Japão, e o Estrangeiro – aquele que inicialmente fora o Outro – aos poucos se metamorfoseia no Eu. Nesse movimento, a noção estrangeira Ma se torna o Neutro barthesiano, apontando para a terceira forma fantasmada em A Preparação do romance I. Rastrear as relações que Barthes estabelece com o Estrangeiro, notadamente o Japão, sua gente e sua cultura, para então interrogá-las a fim de discutir o papel desse encontro no desenvolvimento da escritura barthesiana, é o objetivo de minha apresentação.


BRATFISCH, Juliana | Universidade de São Paulo
Pintura Presente. Uma breve incursão nos desenhos de Roland Barthes

O nanquim, o guache e a aquarela, o traço fluído de Barthes é uma tentativa de captar um instante efêmero, a inscrição dos signos flutuantes de cada manhã de domingo em que ele fazia os seus “borrões”, como ele próprio diz; é certamente um instante de significância daquele que traça e colore, mas também é um dom: Barthes inscreve seu corpo num um frágil suporte – muitas vezes em um papel de pouca gramatura destinado à escrita, como são as folhas timbradas da École de Hautes Études – não para se afirmar como artista, mas pelo simples prazer de dedicar esse gesto amador a seus amigos, presenteando-os com seu resultado. O gesto pictural em Barthes acontece, portanto, também sob o signo da anacoluthia, “o campo raro em que as ideias se penetram de afetividade, em que os amigos, pelo cortejo com que acompanham nossa vida, permitem-nos pensar, escrever, falar” (“A Imagem” O rumor da língua, p. 444). Nessa comunicação farei uma análise do gesto pictural em Barthes não somente como um gesto produtor, olhando para os signos que hesitam prazerosamente entre a letra e a imagem, mas também como um gesto de oferta.


BUENO, Iury Carlos | Universidade Federal do Amazonas
Sem a fome da definição: o punctum e o haicai

O presente artigo integra uma parte das reflexões sobre as possíveis intersecções entre fotografia e haikai na obra de Roland Barthes, desenvolvidas, concomitantemente, com nosso projeto de doutorado. Tais considerações partem da obra barthesiana, abarcando aquelas obras do autor suscetíveis de ilustrá-las. Neste momento, compreende os textos do autor em que se formula a intersecção referida. Para tanto, a partir de uma extensa pesquisa bibliográfica que nos indica o estado da arte barthesiana, colocamos em discussão a questão fotográfica pelo viés barthesiano, baseando-nos principalmente nos seguintes trabalhos: “O neutro” (1977-1978) ,“A Preparação do Romance” (1978-1979) e “A Câmara Clara” (1980), onde os conceitos de “punctum” e “neutro” apontam uma possível conjunção. Como tratamos de uma relação não apenas intersemiótica (fotografia X poesia), mas transcultural (Oriente/Ocidente) teremos que, mesmo de forma rápida, nos deter numa apresentação do fazer poético do haikai e suas peculiaridades. Nosso foco é sobre o possível emaranhamento do conceito de “punctum” e “neutro”, respectivamente, referindo-se à imagem fotográfica e à escrita, e igualmente supondo um escape do paradigma do significado.


CAMPELO, Janeide Maia | Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Como ler um filme? A linguagem cinematográfica segundo Roland Barthes

Em O rumor da língua (1988), Roland Barthes afirma: “criticar é pôr em crise” (p. 41). Como crítico, Barthes dedicou sua obra às mais diversas artes e pôs em crise algumas delas. Barthes o fez porque não era um crítico de arte e sim, um artista crítico. Pintura, filosofia, leitura e tantos outros interesses estão presentes sua obra. Dos múltiplos Barthes que cada obra nos apresenta, nosso trabalho se dedica àquele que, semanalmente, “caminha sozinho pela rua iluminada e vazia…”, o cinéfilo. O autor que colaborou para Cahiers du cinéma (Cadernos de cinema), a mais influente revista francesa de cinema da época, também escreveu acerca da linguagem cinematográfica e de como essa linguagem é trabalhada socialmente e se relaciona com as outras artes. Nosso trabalho consiste em analisar dois textos nos quais Barthes discute a linguagem cinematográfica e como ele, também expectador, recebe e interpreta essa linguagem, são eles: “En sortant du cinéma” (1975) e “Sur le cinéma” (1942-165).


CAMPOS, Raquel | Universidade de Brasília
Derrida e Barthes: por entre singularidades e pluralidades

Através da homenagem feita por Derrida a Barthes em seu ensaio “As mortes de Roland Barthes”, o trabalho pretende traçar os pontos de encontro entre os dois pensadores em meio à pluralidade de suas ideias e na singularidade das mesmas. “Essa singularidade penetrada me alcança de um golpe, me fere ou me assassina e, em princípio, parece olhar diretamente para mim. […] A mim se dirige a singularidade absoluta do outro”, como afirma Derrida em seu ensaio. Os pontos intransponíveis entre um indivíduo e outro criam as singularidades, ao mesmo tempo em que contribuem, aporeticamente, à pluralidade de caminhos, possibilidades e ideias. O aparente paradoxo entre esses dois pontos, a coexistência de ambos em um mesmo espaço, será analisada pelo trabalho, na tentativa de encontrar consonâncias entre dois tão importantes pensadores, distintos mas que, por vezes, trabalharam em suas respectivas obras com questões similares.


CARNEIRO, Maria Clara da Silva Ramos | Universidade Federal do Rio de Janeiro
Luto e escritura: uma análise de A Câmara Clara

Em “A Câmara Clara”, último livro publicado em vida em vida por  Roland Barthes, o semiólogo apresenta algumas de suas reflexões sobre a função do fotógrafo e do objeto da fotografia. Ao mesmo tempo, ele nos fala de sua busca por uma foto especial, em que pudesse, nela, enxergar a sua mãe como ela realmente era. Seu estudo, entremeado à uma narrativa em primeira pessoa, apresenta traços romanescos que vão ao encontro do desejo confesso de seu autor de realizar uma fuga da metalinguagem – do texto ensaístico, da crítica literária.
Em minha dissertação de mestrado, defendida em 2007, discorri sobre um desejo de “vita nova” que se encontra disseminado na escrita desse livro enlutado. Para o centenário de Roland Barthes, revejo alguns dos pressupostos sobre os quais trabalhei, em uma perspectiva teórica derridiana, para reler “A Câmara Clara” à luz de publicações póstumas mais recentes, como seu “Journal de Deuil”.


CLERC, Thomas | Paris-Ouest Nanterre
La chambre à moitié claire

Il s’agira Il s’agira dans cette communication de présenter la critique que Jacques Rancière fait de la conception de l’image développée par Roland Barthes dans La Chambre Claire.
Cette critique, qui se précise depuis quelques années, prend désormais explicitement les thèses de Barthes pour cible, notamment dans Le spectateur émancipé. On verra, preuves à l’appui, comment cette critique manque en partie son objet : les théories de l’image ne sont-elles pas vouées au dialogue de sourds.


CONTESSA, Valéria Berti | Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Crônica poética de uma leitura

Como falar e pensar novamente a obra A Câmara Clara de Roland Barthes depois de já ter sido tão explorada? O que ainda pode ser dito? A fim de conduzir esta tarefa, escolhemos o caminho alternativo sugerido por Samain, no seu texto ‘Um Retorno à Câmara Clara: Roland Barthes e a Antropologia Visual’, publicado no livro ‘O Fotográfico’, a saber: iniciar a leitura do livro a partir das fotografias. O corpus da pesquisa é constituído por vinte e cinco fotografias do livro A Câmara Clara, que ao serem descoladas do texto principal, constroem um discurso independente, já que de uma parte, se articulam entre elas, e por outra, estabelecem relações com imagens que não estão presentes fisicamente no livro, e sim de maneira virtual. A fotografia, considerada durante muito tempo mera coadjuvante do texto verbal, quando tomada de maneira independente adquire uma potência inesperada e revela-se terrível.


COSTA, Cristiano Bedin da | Centro Universitário Univates
Roland Barthes e a anatomia palimpséstica

Em Roland Barthes por Roland Barthes, recebemos a seguinte indicação de leitura: “Tudo isso deve ser considerado como dito por um personagem de romance”. A frase, ao introduzir aquilo que Eric Marty define como um jogo carnavalesco em que o “eu”, o “ele” e o “vós” alternam-se constantemente, desorganiza o discurso autobiográfico regulado pelas prescrições modernas, fazendo da obra um verdadeiro patchwork: re-escrituras, acréscimos, obliterações em meio aos livros, aos temas, às lembranças, de modo que essa nova enunciação não permite saber se é do presente ou do passado que se fala, tampouco se é mesmo da vida daquele que escreve que se diz. Para Françoise Gaillard, isso se deve ao fato de que a biografia Barthesiana não toma o bios enquanto representante do vivido, mas sim da vida no que tem de mais orgânico: o corpo em suas constantes dilatações e invenções. De fato, em Barthes, o corpo é sempre atópico, incapaz de ser apreendido em sua totalidade. Nele, há sempre um excesso, um rasto insignificante, um mais além de todo sentido. Escreve-lo, portanto, é participar de uma dispersão: em meio à música, à literatura, à fotografia, ao cotidiano. Esse excesso, essa mélange anti-hierárquica de linguagens e afectos compondo uma anatomia palimpsesticamente impura, é o que aqui deverá nos interessar.


COSTA, Luciano Bedin da | Universidade Federal do Rio Grande do Sul
O biografema barthesiano como estratégia de pesquisa

Esta comunicação se propõe a apresentar a noção de biografema, cunhada por Roland Barthes ao longo de sua obra (e em momentos esparsos), aproximando-a ao campo das pesquisas biográficas. Nesse sentido, além de uma exposição conceitual, serão apresentados alguns usos do biografema no universo acadêmico, mais especificamente em pesquisas produzidas no interior da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O biografema faz do pesquisador, daquele que lê e escreve uma vida, o próprio dramaturgo desta vida. O que ele registra não é a verdade desta vida mas a verdade de um encontro com esta vida. O biografema, entretanto, não é avesso à biografia. Ele faz parte desta sendo-lhe ao mesmo tempo exterioridade. O biografema eclode na relação que estabelecemos com aquele sobre o qual escrevemos, é um testemundo do detalhe e do minúsculo que nos punge em livros, fotografias, manuscritos, entrevistas, documentos, etc. Ao invés daquilo que é exemplar, ilustrativo e explicativo, o biografema testemunha o traço insignificante produzido pelo que foge, por aquilo que é comum e ordinário numa vida. A verdade ganha novos e imprecisos contornos – e seu próprio estilhaçamento é aqui sustentado como potência de vida. Sendo eminentemente um traço desse encontro com signos de vida de um outro, o biografema envolveria : 1) falar do outro em mim, e 2) falar de mim, no outro. A escrita biografemática estaria ligada a duas outras espécies de escritura: 1) a “heterografia”, pelo desejo em escrever o outro; e 2) a “alterografia”, pelo imperativo ético em tornar-se um outro diante do outro com o qual se escreve. O trágico, neste jogo de exterioridades e intimidades, é que quase sempre saímos dele arranhados ou pulverizados. Eis o risco e a força de um pesquisar biografematicamente.


COSTE, Claude | Université de Grenoble
“Écrire une œuvre en ut majeur”

Barthes termine son cours consacré à La Préparation du roman en formulant le projet d’ “écrire une oeuvre en ut majeur”. Dans cette communication, on se propose d’interroger le sens de cette formule inspirée de Schönberg ; on réfléchira à la fois la présence des modèles musicaux dans l’écriture de Barthes et à une nouvelle appréhension de la notion de contemporanéité.


CROSMAN, Luiza | Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Silêncio compartilhado – gestos de escrita e gestos de presença

A comunicação irá explorar gestos de escrita que possibilitam subjetividades em uma experiência coletiva, através de uma presença densa e opaca. A partir do texto “Cy Twombly: works on paper”, de Roland Barthes, será aberto um panorama que entende o gesto como sendo o surplus de uma ação; algo que sobra positivamente a partir de um movimento dado. Este panorama será expandido na união deste gesto gauche com um gesto silencioso do olhar, da observação do contigente: O “É isto!” defendido pelo autor através do estudo de haikais no livro A Preparação do Romance Vol. II. Será através da investigação desses gestos opacos de escrita que será formada a noção de um gesto de presença; um gesto capaz de formar a subjetividade daquele que experiencia a escritura como um silêncio. Tal investigação abrirá o campo da “forma breve”, como posto por Barthes, indo de encontro com a noção de “sutileza” como posto por Claire Bishop, no artigo “Zones of Indistinguishability: Collective Actions Group and Participatory Art”. Tanto a forma breve quanto a sutileza serão defendidas como formas de criar esta outra subjetividade, que parte de uma perspectiva oriental e que serve como lembrete de outros contextos e de escritas possíveis. Finalmente, o artigo irá concluir resgatando o caráter anti-interpretativo do “É isto!” que, segundo Barthes, os haikais exercitam na sua relação entre experiência e forma. Este resgate será usado para analisar obras do grupo russo Collective Actions Group, ativo principalmente durante o período socialista e que, como defende a autora Claire Bishop, ao contrário de procurar ser um instrumento político, buscava criar um terreno fértil para uma experiência libertária e existencial dentro de um sistema autoritário e monolítico, pensando assim não só o deslocamento entre escrita e presença, mas também a própria ideia de coletividade e compartilhamento de experiências. A comunicação tem como objetivo propor a questão da participação do indivíduo em um acontecimento artístico coletivo como um gesto de presença. Gesto este podendo ser alcançado no entrecruzamento da escrita e da experiência, tendo assim a própria escrita também como um gesto, no qual importa menos o produto e mais o processo que a envolve.


ESTIVILL, Ester Pino | Universidad de Barcelona/Université Paris Diderot
« Déplacer la parole, c’est faire une révolution »: Barthes, por una crítica de la periferia   

Durante la década de los setenta, un grupo de críticos de la literatura argentina, repartidos entre las revistas “Los libros” y “Literal”, recuperaron a una serie de autores eclipsados bajo la sombra borgeana en buena parte gracias a la aplicación de las teorías barthesianas y del círculo Tel Quel. En México, un grupo de especialistas de la UNAM decidieron seguir “el análisis estructural del relato” y contraponerse a la crítica estilística del Colegio de México, heredada de la escuela española. En España, durante los últimos años de la dictadura, una serie de críticos se adentraron en “la actividad estructuralista” en contraposición al positivismo y a la estilística del hispanismo reinante. Poco más tarde, durante la Transición, en la periferia del estado español, sobre todo en Cataluña, una serie de críticos y escritores experimentaron con el concepto de texto (y del placer del texto) como lugar de revolución contra la moral de la época.
Si trazamos una cartografía entre estos tres puntos del ámbito hispánico, vemos que el nombre de Barthes ha circulado como estandarte de una crítica que se ha entendido a sí misma como periférica y que, al mismo tiempo, ha querido participar en el campo intelectual analizando una escritura también periférica, extemporánea al cánon. Contra ella, la crítica hegemónica generalmente ha antepuesto los valores de verdad, claridad, rigurosidad e intuición. La querelle Barthes-Picard parece haberse repetido en diversos momentos de la crítica hispánica y a ambos lados del Atlántico.
La presente contribución pretende analizar el trabajo de Barthes sobre la emancipación de la literatura y de la tarea crítica a través del concepto de periferia (borde, intersticio), principalmente en sus etapas más irreverentes: la moral de la forma propuesta en “Le degré zéro de l’écriture”, la apuesta por el Nouveau Roman y el brechtismo en “Essais critiques”, el ataque de “Critique et vérité” a la crítica castradora picardiana, la multiplicidad de lectura en “S/Z” y la perversidad del texto-fetiche en “El placer del texto”. En todos estos casos, Barthes toma una posición intersticial, difícil de definir, ya sea a la izquierda o a la derecha, como formalista o como dandy, desde la posición de científico estructural o desde la de hedonista atópico. Por último, veremos de qué manera las propuestas barthesianas, sustentadas en una retórica en constante ilación con el cambio epistemológico de finales de los sesenta, abrieron paso a la independencia de ciertos sectores de la crítica hispánica en la reconstitución de sus literaturas nacionales.


EYBEN, Piero | Universidade de Brasília
Figura: tramas de luto e amor em Barthes

Com o intuito de discutir a complexidade do pensamento fragmentário de Roland Barthes, o presente ensaio propõe uma leitura de dois polos figurativos: o luto e o amor. Como é sabido, Barthes dedicou-se a essas problemáticas de forma incisiva em dois textos: Fragments d’un discours amoureux e Journal de deuil. Ali, mas também em outros momentos, o autor coloca-se em questão ao colocar em questão o próprio estatuto da representação. Desse modo, proponho ler a ideia de figura como potencialmente desconstrutora do aparato formalizante do conceito de representação e, nesses dois “fragmentos”, o amor e o luto, uma possibilidade outra de pensar a escritura.


FEITOSA, Therence | Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Dos sentidos do objeto

A presente proposta de comunicação tem como objetivo discutir a relação entre os objetos e os signos dentro do universo da linguagem. Isso pensando a produção de sentidos a partir dessas relações. O corpus que sustenta a argumentação da proposta parte de textos que se encontram em A Aventura Semiológica e O Grau Zero da Escrita. Olhando para o significado do objeto, Barthes (2001) traz o seguinte problema: Como o ser humano dá sentido às coisas? Tal problemática surge pelo fato da ideia da inexistência de sistemas significantes de objetos em seu estado puro. Ele diz que a linguagem atua na transmissão dos sistemas de imagens. As reflexões sugeridas seguem na direção do significar e, nesse ponto, os objetos não servem somente para informar, mas possibilitar estruturações dos signos. Barthes (2001) liga essa ideia aos sistemas de diferenças, oposições e contrastes. Em sociedades que buscam as regularidades, o objeto se relaciona com as “tecnologias”, ou seja, o modo como é normalizado acaba transformando o objeto. Outro olhar é de que o objeto pode construir e expandir o subjetivo. Nessa relação entre o subjetivo e a tecnologia, o objeto acaba se tornando o que ele denomina de “infinitamente social”, logo, toda relação estabelecida entre o objeto dentro de um contexto social o transforma em uma coisa útil, atribuindo a ele (o objeto) um sentido efetivo, onde nenhum objeto escapa do sentido. Dentro das sociedades as funções fomentadas em relação aos objetos acabam por significá-los em si mesmos. Isso ocorre de maneira coordenada no âmbito simbólico e no classificatório. Tal fenômeno produz relações deslocadas, metonímicas. Nesses processos surgem pluralidades organizadas que, a partir da natureza codificada dos objetos, geram certa ação funcional e tornam o objeto “um mediador entre o homem e o mundo”.


FERRAZ, Paulo Procopio de Araujo | Université Paris VIII
Les traces d’une image: alchimie et critique littéraire

Dans le travail que nous proposons, nous tenterons de réfléchir sur l’image de l’alchimie dans le livre Sur Racine, de Roland Barthes. Cette image apparaît dans l’analyse qu’il fait de la critique racinienne de son temps. Il reproche à ces études d’utiliser, pour expliquer la création littéraire, des noms vagues, comme « élan générateur » ou « mystère de l’âme », qui seraient comparables au rôle que joue, selon Bachelard, la substance pour les alchimistes. Pour ce dernier, elle signifie un coup d’arrêt pour la pensée – le chercheur, quand il croit avoir réussi à pénétrer dans l’intimité des choses, ne verrait pas l’intérêt d’aller plus loin.
Pour Barthes, cette pensée substantialiste aurait une connotation politique. L’interprétation bourgeoise du théâtre racinien chercherait toujours l’intériorité des personnages, ce qui aurait pour effet d’introduire un caractère psychologique étranger à la tragédie. La réponse à ce problème serait de faire une lecture des œuvres de Racine qui mettrait l’accent sur les rapports entre les éléments. Il esquisse, ainsi, une analyse structuraliste.
Ceci dit, Barthes finit par retrouver la substance à tous les niveaux de sa lecture. Il la rencontre dans les pièces de Racine, alors même qu’il essayait de montrer qu’une vraie tragédie ne devrait pas en avoir. Il parle même d’une chimie pour décrire Britannicus, que l’on distingue mal de l’alchimie qu’il avait critiquée. Il en conclue que Racine est un auteur ambigu qui n’a jamais écrit des vraies tragédies.
Barthes se voit donc frustré dans sa recherche d’une tragédie sans mélanges, purgée de ses éléments corrupteurs. On pourrait dire, ainsi, qu’il existe une alchimie barthésienne, qui, à partir de la construction d’une structure objective, poursuit le rêve d’une pureté oubliée.


FIGUEIREDO, Eurídice | Universidade Federal Fluminense
A morte do autor: desfazendo mitos

Proponho fazer uma análise minuciosa do artigo “A morte do autor” de Roland Barthes a fim de desmistificar o sentido banal que lhe é atribuído. Estabelecerei também um confronto com o pensamento de Benveniste, Blanchot e Foucault. Para concluir, farei a ponte com seu curso A preparação do romance II, ministrado no Collège de France e publicado postumamente.


FONTANARI, Rodrigo | Universidade Estadual de Campinas
Em busca de um ‘Grau zero da imagem’: Notas barthesianas sobre a imagem cinematográfica

Este ensaio busca, de certa maneira, reconciliar Roland Barthes e Alain Robbe-Grillet do cinema. Essa possibilidade de reconciliação parece se dar ao estender as prerrogativas da “suspensão do sentido” – esse  flash lógico que coloca em pânico a máquina da linguagem ao destramar suas amaras de produção de sentido, que Barthes entrevê na experiência Zen oriental de satori –, à releitura do disnarrativo fílmico robbe-grilletiano.  .


FREIJOMIL, Andrés Gabriel | Universidad Nacional de General Sarmiento – CONICET
Roland Barthes y las paradojas del discurso histórico

Cuando en 1967 Roland Barthes publicó “El discurso de la historia” desató un enorme debate historiográfico que permitió visibilizar no sólo las estrategias que operaban por detrás del discurso histórico, sino también el lugar que ocupaba el historiador como principal artífice de tal construcción. Al afirmar que el historiador apelaba a la “ilusión referencial” para dar cuenta de una realidad histórica que, en realidad, continuaba presa del discurso que la hacía posible, Roland Barthes reavivó una discusión que contribuyó a repensar la naturaleza del conocimiento histórico y la relación que mantenía la historia con la literatura de ficción. El objetivo de nuestro trabajo consiste en rastrear las respuestas que dieron los historiadores a tales postulados, tanto las de aquellos que se resistieron a este tipo de formulación y en el que veían una seria amenaza para la estabilidad de su disciplina, como las de aquellos otros que asumieron –y, de algún modo, extremaron– la dicotomía entre la escritura de la historia y las posibilidades de reconstrucción de un pasado real.


GAILLARD, Françoise | Université Paris VII/ New York University
“Il y a des moments où je déteste la photo”

À partir d’un dialogue entre Baudelaire, Baudrillard et Barthes, cette intervention posera la question du rapport pour le moins ambigu de Roland Barthes à la photographie et d’une manière générale à l’image.


GESKE, Samara Fernanda A. O. de Lócio e Silva | Universidade de São Paulo
“Dizer aqueles a quem amo”, reconciliando Roland Barthes e Albert Camus

A referência ao nome de Barthes juntamente com o de Camus se faz normalmente seja pelos primeiros escritos do crítico que tinham como cerne a primeira narrativa de Camus (L’Etranger), seja pela polêmica dos anos cinquenta em torno da publicação de La Peste. Superada tanto essa fase mais marxista no primeiro, quanto o ciclo de obras sobre a revolta no segundo, em seus últimos anos, ambos confluem para o tema do amor. Essa confluência permite que de alguma forma eles se reconciliem depois do embate de ideias que os distanciou. Embora com percursos diversos e vivendo em épocas diferentes (Camus morre em 1960), a última fase de suas carreiras se revela muito semelhante. O objetivo desta comunicação é “ler” esta convergência a partir das reflexões de Barthes no curso “La préparation du roman I et II” juntamente com o manuscrito inacabado do romance Le Premier Homme de Camus. Essa aproximação nos mostra que ambos tinham a impressão de estar entrando em uma Vita Nova, que significava também a descoberta de uma nova prática de escritura: o romance, cujos grandes modelos seriam Guerra e Paz de Tolstoi e Em busca do Tempo Perdido de Proust. E, principalmente, ambos desejavam dizer aqueles a quem amavam por meio da escritura. Embora com pontos de partida parecidos, cada um chegaria a um resultado distinto do outro (como deixam entrever alguns manuscritos), mas ao final, é o amor que permite reconciliá-los e é a partir deste tema que gostaríamos de reaproximá-los.


GIL, Marie | Collège de Philosophie
Barthes et la musique

La musique chez Barthes a trait au langage et au corps, on le sait: du “Grain de la voix” à “La musique, la voix, la langue”, passant par “Rash”, “Aimer Schumann” et “Le chant romantique”, les textes sur la voix, le lied, Panzéra ou Schumann déclinent un double motif: l’ineffable ou l’impossibilité du discours sur la musique et le rapport au corps de cette dernière. Comment parler de la musique? Comment dire ce lieu où s’annule la frontière entre imaginaire et symbolique, où les catégories linguistiques se dévoilent dans la pureté d’un rapport direct du signifiant au référent – un rapport direct de la langue au corps (le « grain »). Autrement dit, comment dire la langue pure? Ces écrits et ces pensées disent encore, parallèlement et de manière annexe, l’affirmation d’un goût, le rejet du grégaire – d’un certain symbolique, au profit d’un autre, celui du corps –, le rejet d’un certain imaginaire – c’est cette fois le rejet de l’expressivité au profit d’une platitude qui révèle le « grain » de la voix, donc de la musique. Une autre série de textes, qui rejoint « Rash » et « Aimer Schumann », sur l’amateur et la pratique du piano, mettent en valeur la même place première du corps personnel, le même rejet du grégaire, le primat de la légèreté, du naturel. Le primat, selon moi, d’une certaine « perte ». Il me semble que la « perte », dans son double sens d’égarement et d’objet soustrait, de soustraction, est le concept fédérateur de la pensée barthésienne de la musique.


HOSHINO, Silvia Muramoto | Universidade Estadual de Londrina
Diálogos entre Roland Barthes e Maurice Blanchot: o grau zero da escrita em um livro por vir

Roland Barthes foi um homem plural. Escreveu uma extensa obra e se impôs como uma grande referência nos estudos literários, falou também sobre moda, fotografia, teatro e culturas orientais. O conjunto de sua obra serviu de inspiração e abriu um diálogo com diversos autores de sua época, entre eles Maurice Blanchot. Este, ao contrário de Barthes, foi tímido e reservado. Porém é considerado, um dos maiores críticos literários do século XX. O livro por vir, de sua autoria, traz referências diretas em um capítulo inteiro dedicado à O grau zero da escrita, de Barthes. O que une os dois autores e permite essa relação são os pontos em comum de suas pesquisas, neste caso a busca do que Barthes chama de “escrita branca” e Blanchot de “neutro”, que é uma escrita despida das ideologias, impessoal, ausente. Esta comunicação tem como objetivo analisar a maneira como esse diálogo se deu, o que é o grau zero da escrita, quais são as demais ideias barthesianas abordadas por Maurice Blanchot, como a distinção entre língua, estilo e escrita, e como eles as interpretou.


IELPO, Rodrigo | Universidade Federal do Rio de Janeiro
O prazer do suicídio como performance do sujeito em Barthes

Em seu Roland Barthes par Roland Barthes, o crítico exorta seu leitor a considerar o que será lido como “dito por um personagem de romance”. Espalhando os signos desse deslocamento ao longo de todo o livro, Barthes evoca novamente a relação entre escritura e desaparecimento do sujeito, desenvolvida anos antes em seu “La mort de l’auteur”. O que esta comunicação pretende explorar é de que modo, ao acusar a fissura como posição ontológica do sujeito, Barthes radicaliza a noção de um “eu disperso” para chegar à formulação de um eu como performance. Neste jogo de cena em que o romance termina por dar lugar ao teatro, a escritura operaria como o gesto essencial, fazendo do suicídio do autor o processo de encenação das máscaras necessárias às figurações de um sujeito.


KNIGHT, Diana | University of Nottingham
« Il faut choisir »: Barthes devant le pari de Pascal

A travers les écrits et les projets conçus entre la mort de sa mère et la sienne — Journal de Deuil, La Préparation du Roman, La Chambre claire, Délibération, Soirées de Paris et Vita Nova — ma conférence explorera la place de Pascal dans le récit de conversion fantasmé du tout dernier Barthes.


KOIDE, Emi | Universidade Federal de São Paulo
Rumores de mitologias – Barthes e a colonização

Propomos apresentar uma análise do vídeo Vita Nova (2009) do artista Vicent Messeen que parte de uma fotografia da revista Paris Match de 1955 analisada por Roland Barthes no texto “O mito, hoje” de Mitologias (1957) – de um jovem negro saudando a bandeira francesa – decifrada como “álibi da colonização” (Barthes, 1957, p. 203). Em sua investigação, o filme revela algo inesperado: o fato de que o avô de Barthes, Louis-Gustave Binger, havia sido um explorador colonial que governou o território correspondente a Costa do Marfim atualmente. O filme se apropria de textos e Barthes, em reviravoltas que criam novos sentidos e significados. Propomos analisar as inflexões, deslocamentos e outras reflexões dos textos de Barthes na presente obra, levando em consideração temas como mito, poder, colonização e história.


LINK, Daniel | Universidad de Buenos Aires
Roland Barthes: Ética y moral de las formas

En este homenaje, me propongo analizar en particular los aspectos éticos de la metodología propuesta por Roland Barthes para la lectura de textos, discursos e imágenes. Más allá de la “moral de las formas” a la que se refiere en sus primeros textos, su obra espléndida se cierra con una apelación al “Bien Supremo” que nos obliga a un análisis atento del sentido de su trabajo.


LUCINI, Luis Alberto Flores | Uniritter – Centro Universitário Ritter dos Reis
Freud e Barthes – corpo e linguagem literária

Sigmund Freud fez uso da literatura para estruturação das teorias psicanalíticas. As obras literárias se apresentam como objeto interpretativo e de intensa representatividade cultural. Ao se aproximar da psicanálise, o literário abre em seus escritos possíveis brechas que coloca o próprio autor em exame. Roland Barthes aborda e considera a crítica literária psicanalítica como meio de acesso ao íntimo do autor, às suas premissas e recusas no decifrar de suas mensagens. Barthes e Freud marcam em seus escritos a refutação de qualquer fixação semântica tecida tanto no campo da psicanálise como no segmento literário. Para Roland Barthes, no ato da escrita, a linguagem se faz pele e a (escrevedura) sempre faz apelo ao corpo, pois, “não há linguagem sem corpo”. A relação entre corpo e sujeito se reverbera no estilo da escrita (escrituração). A produção literária – também produção psíquica, se amplia e refrata em representações podendo revelar, pela ótica freudiana, determinada pertinácia desejante do autor. Neste sentido, projeta-se este estudo que, entre totalidade e fragmentos, procura apontar, em breves excertos, marcas da subjetividade do crítico francês sobre corpo e suas afecções na obra Fragments d’um discours amourex (1977).


MARGARIT, Lucas | Universidad de Buenos Aires
El trazo es un rumor. Las grafías y dibujos de Roland Barthes

Los trazos en las tintas y acuarelas de Roland Barthes se extienden como un murmullo que se interpone entre el color y la línea. Algunas de sus grafías invitan a ser leídas como una escritura expandida, como la amplificatio o una iteración perseguida en un instante de sentido. Como un cuerpo diseminado, la simplicidad del trazo va constituyendo signos que son marcas de una evidente ausencia. ¿Qué son estas imágenes sino el énfasis del trazo de tinta en un momento determinado?  El hecho de que estas obras de pequeño formato no lleven título, sino sólo una fecha en la parte inferior de la imagen, nos está  colocando como lectores frente a un gesto en un momento dado. Mirar la superficie del signo será, entonces, un intento de comprender el rumor que se manifiesta. Samuel Beckett con respecto a Bram van Velde afirma que es “el primero en apartarse de este automatismo idealizado”; creemos que esta referencia nos posibilitará pensar estas obras de Barthes como un paso más en la desidealización de la imagen en pos de la superficie del signo.
Este trabajo tratará acerca de la obra plástica de Roland Barthes como una construcción de sentido en el reverso de la palabra.


MARQUES, José Carlos | Universidade Estadual Paulista – Bauru
O que é o esporte? Contribuições de Huizinga e Caillois ressignificadas por Barthes

Em 1961, o pensador francês Roland Barthes (1915-1980) publicou o texto “O que é o esporte?”, a partir de uma encomenda do canadense Hubert Aquin, que realizava o documentário “O esporte e os homens”. O artigo, talvez pelo seu caráter fortuito, não foi incluído nas obras completas de Barthes publicadas pela Editora Seuil. No entanto, temos aqui um retrato poético e original sobre o esporte a partir do olhar estruturalista do intelectual francês. O texto faz uma análise semiológica sobre a tourada na Espanha (a qual o próprio Barthes não sabe se a inclui na categoria de esporte), o automobilismo nos Estados Unidos, o ciclismo na Europa (nomeadamente o “Tour de France”), o hóquei no gelo no Canadá e o futebol na Inglaterra. Longe dos termos técnicos das ciências do esporte e do linguajar acadêmico canônico, o texto mais que cinquentenário de Barthes procura analisar os significados e a importância que o esporte assumiu na sociedade de massas do século XX, buscando interpretações e correlações entre a prática esportiva e as necessidades vitais do homem na contemporaneidade. Estas reflexões procuram contrapor a contribuição barthesiana e seu texto pouco conhecido do público em geral diante das obras seminais de dois outros autores europeus que propuseram uma leitura original sobre o papel do esporte na sociedade moderna: são os casos do holandês Johan Huizinga e o livro Homo ludens (publicado em 1938), e do francês Roger Caillois com Os Jogos e os Homens (lançado em 1957).


MARTINO, Luís Mauro Sa | Faculdade Cásper Líbero
Contribuições de Roland Barthes à Epistemologia da Comunicação

A obra de Roland Barthes, em seus múltiplos aspectos, já há algumas décadas vem sendo incorporada aos estudos de Comunicação. Alguns de seus principais livros, como Mitologias e O Sistema da Moda, para não mencionar artigos e ensaios, destacam-se por eleger produtos midiáticos como objeto de uma rigorosa análise. Ao mesmo tempo, Barthes parece ter se debruçado sobre aspectos específicos do fenômeno comunicacional, desde obras como os Elementos de Semiologia até O prazer do texto, questionando, de forma provocativa, as possibilidades e limites da Comunicação. A publicação de seus cursos no Collège de France, em especial no volume sintomaticamente intitulado “Teoria”, Barthes debruça-se novamente sobre problemas relacionados ao conceito de Comunicação. Nesse sentido, quais seriam suas contribuições à compreensão do fenômeno comunicacional? Este texto procura, a partir de análise bibliográfica, traçar um panorama das problemáticas exploradas por Barthes na formulação de uma noção de “Comunicação” tal como aparece em vários momentos de sua produção. São destacados três aspectos: (1) Os estudos sobre “comunicação de massa”; (2) As análises de linguagens; (3) A noção de comunicação que emerge desses trabalhos. Parte-se da premissa de que, sob a pluralidade de suas abordagens – cinema, jornalismo impresso, linguagem – parece haver uma perspectiva de compreensão do fenômeno da comunicação em sua dinâmica, oferecendo trilhas para se pensar a epistemologia da Comunicação. Embora não tenha dedicado nenhuma obra específica a respeito desse tema, entende-se que a interlocução mantida por Barthes com questões relacionadas à teoria da Comunicação pode ser uma contribuição para se pensar algumas das problemáticas epistemológicas da área.


MENEZES, Ludimila Moreira | Universidade de Brasília
Da nostalgia como relembramento: correspondências lutuosas entre Barthes e Derrida   

Selada sob uma correspondência infiel desde a impossibilidade do luto entre Roland Barthes e Jacques Derrida essa comunicação analisa como o acontecimento lutuoso se perfaz em linguagem pranteada e nostálgica em Diários de luto (2011), de Barthes e Circonfissão (1996), de Derrida. Como entender o que se passa no espaço confinado entre o sofrer e o acatar? No corte, o reverso de um outro trabalho de luto, aquele fraquejado no paradigma do êxito, em acarretamento intermitente com a soberania de um eu dispersado pela alteração da vida em demanda pelo outro. Se perde nesse circuito abissal, um roteiro de gastos, e o retorno, penoso e súbito, ao isolamento do ser torna o tempo desvairado, vigora um desacerto entre as condições do presente e as experiências do passado. Proponho ainda a partir da questão do testemunho acossado pelo trabalho inelutável do luto pensar a radicalidade da escritura enquanto gesto de abertura ao outro no texto-despedida de Derrida a Barthes, em Chaque fois unique, la fun du monde (2003) bem como com Barthes (2003)  desde os fragmentos de um discurso amoroso desdobrar aquilo que persiste e assombra a escritura: “Que quer dizer isto, “pensar em alguém”? Quer dizer: esquecê-lo (sem esquecimento, não há vida possível) e despertar muitas vezes desse esquecimento. (Barthes, 2003, p. 45)


MESSAGER, Mathieu | Université Sorbonne Nouvelle – Paris III
Parler à côté: les légendes de Barthes

Le dernier séminaire projeté par Barthes avait trait aux visages du « monde proustien » photographiés par Paul Nadar. Étrange objet scientifique. Peu scientifique à vrai dire si l’on s’accorde aux déclarations de Barthes qui dit là proposer un séminaire purement « distractif » qui ne consiste qu’à « feuilleter » des images sans jamais vouloir en assurer un discours de maîtrise ; tout juste un « examen » où bégaiera en peu de mots l’insistance d’une fascination : « Le peu de mots que je dirai indexe quelque chose qui n’est pas ce que je dis : je ne parle pas là où ça est, je parle à côté […] ». De cette parole « à côté », Barthes tire 65 légendes, qui mêlent indistinctement biographèmes, anecdotes historiques, traits autobiographiques, relevés de punctum, citations littéraires, propensions lyriques, notations factuelles, etc. La légende photographique, pour systématique qu’elle soit dans ce séminaire, n’est pas un objet isolé dans le trajet de Barthes. Elle traverse déjà le Michelet en commentant le vaste “Musée Imaginaire” de l’historien, elle étoile L’Empire des signes en ponctuant de quelques traits manuscrits les illustrations qui viennent en appui du texte, elle organise toute la première section du Roland Barthes en se réclamant de la « part de plaisir que l’auteur s’offre à lui-même en terminant son livre ». C’est de ces légendes de Barthes, ressaisies dans leur diversité depuis l’interrogation finale de l’ultime séminaire, que nous souhaiterions rendre compte. Jamais analysées en tant que telles pour leur valeur poétique, elles n’en constituent pas moins un objet d’étude fécond qui rejoint les écritures du moindre que l’auteur a toujours affectionnées (haïkus, biographèmes, fragments, traits, journal, etc.) ; elles signent surtout une pratique heureuse de l’écriture qui n’a plus à se justifier du commentaire et qui peut, dans tous les sens du terme, engager une parole de « l’à côté. »


MOTTA, Leda Tenório da | Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
O cinema na imagética de Roland Barthes

Propõe-se uma aproximação entre as imagéticas de Jean-Luc Godard e Roland Barthes. Buscar-se-á mostrar que, além de decifradores semióticos do que é “justo imagem”, ambos coincidem na admissão da possibilidade da imagem justa, rompendo com a iconoclastia novecentista e as ideias feitas acerca dos simulacros da caverna platônica ao redor. Dessa ruptura dariam testemunho, em Barthes, o conceito sui generis de “terceiro sentido”, também chamado “sentido obtuso”, formulado, em 1970, nas páginas dos Cahiers du cinéma, a propósito da força do rosto no cinema de Eisenstein e, em Godard, os escritos da fase heroica dos Cahiers, datados do decênio de 1950-1960, em que ele já assinala que as imagens cinematográficas podem abraçar a vida e, junto com isso, o lado mortal da vida. Acreditamos que, além de antecipar a tese da irredutibilidade do rosto eisensteiniano à palavra, em que consiste, para Barthes, sua obtusidade ou terceiro sentido, tais escritos são ainda precursores da tese barthesiana tardia sobre a fisgada mortal do “punctum”. Joga-se, neste caso, com a hipótese, já aventada por alguns, de que o “terceiro sentido” é um equivalente do “punctum”. Metodologicamente, trata-se de um exame comparatista dos nexos profundos entre duas importantes figuras do intelectual público no século XX, aparentemente distantes entre si e com pouquíssima referência mútua, cujas nada hieráticas tomadas de posição sobre as imagens técnicas pedem aproximações. Teoricamente, far-se-á apelo aos estudiosos da obra barthesiana que lhe têm reconhecido a dianteira no reconhecimento do fundo espectral da fotografia e a remoção de uma cultura aversiva ao fotográfico, entre eles os franceses Daniel Bougnoux e Georges Didi-Huberman, o belga Henri Van Lier e o português Pedro Miguel Frade, e se atualizará o estado da arte da nouvelle vague, incorporando a última produção de especialistas como Jean Douchet, Michel Marie, Antoine de Baecque, Philippe Dubois e, fora da França, Colin MacCabe. A relevância da proposta prende-se ao fato de que temos nós brasileiros nos temos mantido à margem das contribuições mundiais ao conhecimento da obra de Barthes _ aqui por ora muito restritas ao empenho do movimento editorial _ e praticamente desconhecemos a obra crítica de Godard. Pensamos que está também em apresentar uma expressiva e por ora pouco explorada parcela da obra de Barthes consagrada ao cinema, bem como uma até aqui intocada estética godardiana do retrato, também desvelada por sua obsessão do close up, a que devemos os perturbadores planos fixos femininos de sua fase áurea, a dos anos Anna Karina & Anne Wiazemsky. Considerando ainda que, deflagradas no mesmo momento, a revolução dos Cahiers e a “nouvelle critique” contam mais de meio século, esperamos também poder mostrar como esses críticos das artes e da indústria cultural podem dialogar conosco hoje.


NÁCHER, Max Hidalgo | Universidad de Barcelona
Desplazamientos y transformaciones de la crítica en Roland Barthes

“Se déplacer peut donc vouloir dire: se porter l’a où l’on ne vous attend pas, ou encore et plus radicalement, abjurer ce qu’on a écrit (mais non forcément ce qu’on a pensé), lorsque le pouvoir grégaire l’utilise et l’asservit. » Roland Barthes, Leçon (1977)
Roland Barthes es un autor privilegiado para estudiar, dada su especial inserción en el campo intelectual francés (cf. Pierre Bourdieu, Homo academicus), las transformaciones discursivas que se dan en el mismo desde los años cincuenta hasta finales de los setenta. Lo que no quiere decir que sea posible reducirlo –como han pretendido con otros autores, o con él mismo, algunos herederos de Bourdieu– a su posición en el campo. Esta contribución pretende pensar la tensión entre ambas series (institucional y discursiva) como el efecto específico de una práctica de escritura que trabaja a partir de desplazamientos y transformaciones. La precariedad institucional de Barthes –ligada a una ausencia de títulos de nobleza que lo convierte en un “snob” ante los ojos de los dotados de esos títulos que se le reclaman para autorizar su habla– se resolverá así en una práctica específica: el ejercicio de la crítica. Barthes hará de esta escritura crítica –cuyas estrategias analizará mi presentación– un arma de intervención. Al transitar por ámbitos y disciplinas generalmente estancos, y al ponerlos en contacto con su afuera, Barthes los desestabiliza. Y no sólo eso: frente a la posición de enunciación de Derrida, Lacan o Foucault, eminentemente paterna y combativa (disputándose entre sí la legitimidad de representar a la verdadera vanguardia del pensamiento), Barthes habrá utilizado una estrategia inversa: la de la constante asimilación y puesta en movimiento de aportaciones ajenas que él no se cansará de repetir, una y otra vez, que no le pertenecen (y de las que, sin embargo, hará siempre un uso específicamente productivo).
La presentación recorrerá algunas de estas intervenciones y señalará su entrada en el Collège de France en 1977 como un punto de inflexión en lo que, hasta entonces, había sido un recorrido de vanguardia. En esa lección inaugural dirá: “Je puis dire indifférement: littérature, écriture ou texte”. Con esa afirmación se cierra un recorrido de vanguardia. No es, por cierto, Barthes el que lo cierra. El campo intelectual también se ha transformado. Y, con él, en un momento en el que la teoría literaria se ha institucionalizado académicamente, los modos y las estrategias de intervención. En este contexto, Barthes propondrá abjurar de lo escrito para apostar por la escritura.


NOVA, Vera Casa | Universidade Federal de Minas Gerais
Twombly, Barthes e Michaux: a aventura do traço

A relação da imagem com a caligrafia nos 3 autores. A ruptura da linearidade aristotélica. Sujidade e ruína da letra. O sonho ideogramático. O gesto e a escritura. A imagem-escritura.


OLIVEIRA, Priscila Pesce Lopes de | Universidade de São Paulo
Roland Barthes e o álbum de família

Roland Barthes por Roland Barthes abre com uma seleta de fotografias que, se cremos no narrador, teriam sido selecionadas “pelo puro prazer egoísta do autor, após a conclusão da redação”. Já a fotografia do Jardim de Inverno não pode ser extrincada de A Câmara Clara, configurando o eixo do percurso narrativo do livro. É sobre fotos de família nesses dois livros que se centrará a apresentação. Examinaremos em Câmara a foto “La souche”, a presente/ausente foto do Jardim de Inverno e, no Roland Barthes, o conjunto das fotos. Sob inspiração do gênero “álbum de família”, perscrutaremos a relação entre imagens e texto: as legendas que revelam, ocultam, achatam, põem em narrativa as fotografias; aderência, recusa e/ou subversão de lugares-comuns autobiográficos pelo álbum; proposição de diferentes modos imagéticos que estariam nos dois livros. O tipo de fotografias em cada livro e seu respectivo tratamento textual difere: a maioria das fotos de Câmara foi realizada por fotógrafos profissionais e não tem ligação com a experiência direta da pessoa física Roland Barthes, ao contrário do que ocorre no outro livro. Em termos de éthos do narrador, o álbum do Roland Barthes faz existir um certo Roland Barthes: aquele que agencia cuidadosamente sua imagem fotográfica e textual. Recorreremos a Câmara, às noções de punctum e studium, para pensar o agenciamento narrativo de informação textual sobre as pessoas retratadas no Roland Barthes, voltando com os desdobramentos dessas escolhas para delinear também a caracterização do narrador de Câmara. Este afirma que o noema da fotografia reside em sua factualidade; as percorre, no entanto, como narrativa: constrói derivas discursivas com pontos de “indiscutível” verdade, isto é, obtém o encontro feliz da possibilidade narrativa que não é vinculada à nem tampouco desvinculada da ficção.


PERES, Ana Maria Clark | Universidade Federal de Minas Gerais
Roland Barthes e o “autor de papel”: uma reflexão sobre as relações entre vida e obra na contemporaneidade

Como se sabe, uma vertente significativa da crítica contemporânea consiste na crítica biográfica (ou estudos sobre a autoficção), numa abordagem, em suma, das relações entre vida e obra de um autor. Este trabalho pretende focalizar a contribuição de Roland Barthes para a discussão atual, passados mais de 30 anos de sua morte. De início, podemos indagar como o arauto da “morte do autor” concorreria para tal investigação. Ora, além dos cuidados que devem ser tomados a fim de evitarmos interpretações dessa “morte” que valorizem uma suposta extinção sumária do autor em nossas leituras, constatamos que, promovendo seu “retorno amigável” (ou a existência de um “autor de papel”) alguns anos após o célebre artigo e trazendo a profícua noção de “biografema”, Barthes tem contribuído, explicitamente, para o debate, como atestam várias pesquisas recentes relativas ao assunto. Mas estaria, de fato, “vivo” no escrito esse autor que “retornou”? Um diálogo com a psicanálise de orientação lacaniana poderia nos trazer novas luzes à questão, ampliando a discussão instigantemente provocada por Barthes. A partir dessas contribuições, uma breve leitura de textos da literatura brasileira é proposta.


PINO, Claudia Amigo | Universidade de São Paulo
A missão amorosa do romance

O trabalho tem como objetivo apresentar os resultados da tese de livre docência “Em busca de uma vida nova. O projeto de romance de Roland Barthes”, que deve ser publicada no livro Roland Barthes: a aventura do romance (7 Letras). Trata-se de um trabalho já antigo, que teve como ponto de partida a exploração das fichas preparatórias e dos manuscritos relativos à Vita Nova, o projeto de romance de Barthes que dá título a seu último curso. Embora esse projeto não tenha sido desenvolvido, os caminhos do seu processo de criação nos mostram um pouco das novas aventuras que a escrita de Barthes empreendia. Nesta apresentação, começaremos por descrever o corpus de manuscritos (fichas e manuscritos preparatórios de Vita Nova e outras obras relacionadas ao projeto de romance) e alguns dos movimentos escriturais que podemos identificar na observação dos documentos. Depois, a partir desses movimentos da escrita, proporemos uma reflexão sobre a ética e o pensamento místico no seu projeto de romance, especialmente sua relação com o Tao e com a obra de Pascal.


RODRIGUES, Fabrícia | Universidade de Brasília
A escritura e o teatro da memória em Roland Barthes

Em seu último curso, Roland Barthes lançou-se na investigação do processo de composição de uma obra literária, desde aquilo que ele chama de desejo de escrever ao fato de escrever. Segundo ele, na escrita literária o autor inevitavelmente faz uso de sua própria vida. Tomando como ponto de partida essa reflexão de Barthes e compreendendo a memória como uma fonte inesgotável para a escrita, este artigo pretende discutir o engendramento da memória e da ficção na literatura, especialmente no que diz respeito à obra Roland Barthes par Roland Barthes. Assim, um novo olhar para a figura do autor permitiria pensá-lo não apenas como aquele que forja uma narração – como o próprio Barthes afirmara, chegando mesmo a declarar a morte do autor –, mas também como aquele que transforma a ficção em um espaço próprio para a performance, ampliando as possibilidades do texto para abarcar inclusive a encenação de sua própria imagem. Nessa encenação, tem-se o engendramento de uma figura que é, acima de tudo, pensada narrativamente, forjada pela linguagem.


ROGER, Philippe | École Pratique de Hautes Études en Sciences Sociales
La vie comme texte: une tentation de Roland Barthes

Nous connaissons bien le Barthes qui professe «l’amour déchirant» de la Littérature et acquiesce au culte mallarméen du Livre. Il en un autre, pourtant, plus discret, que tente «la vie comme texte». C’est ce fil secret que l’on voudrait suivre dans l’œuvre jusqu’à «Vita nova», l’énigmatique et décevant dossier posthume qu’un tel parcours permettra peut-être d’éclairer.


ROGOBETE, Ana Delia | Johns Hopkins University/ Paris 3 Sorbonne
Et moi, et moi, et moi.. Roland Barthes et la construction du mythe de l’auteur en texte et photographie   

“Quand Roland Barthes affirme : « Je ne suis pas spécialiste de la photo, je ne suis spécialiste que de moi même », il témoigne de son intérêt pour la construction de soi en écriture et photographie. Dans la dernière période de sa vie, Barthes semble approfondir cette praxis qu’il explore dans toutes ses formes, de l’autobiographie (Roland Barthes par Roland Barthes) en passant par les fragments de journal (Journal de deuil, Soirées de Paris), le cours sur La Préparation du roman, pour arriver finalement à ces quelques feuillets de son futur roman à peine esquissé, Vita Nova.
Considérés en leur ensemble, ces textes seraient les éléments d’un même projet, marqué par cette double pratique – de l’écriture et de la photographie (car si les textes ne contiennent pas d’image, ils en font référence) – projet qui selon la parole même de l’auteur doit mettre la vie au service de la Littérature pour en construire une nouvelle (Vita Nova).
Mais la vie au service de l’œuvre est construite et déconstruite à travers le double emploi du texte et de l’image qui transforme l’individu Roland Barthes dans le mythe de l’auteur Roland Barthes. Plusieurs questions se posent : comment est-il possible que celui qui a déclaré la « mort de l’auteur » en 1966, le ressuscite vers la fin des années 1970 ? Comment peut-on parler de soi après « la mort de l’auteur » ? Pourtant, comment peut-on parler de soi autrement qu’en auteur ? Existe-il de la vie après la mort de l’auteur ?
Le but de notre présentation sera donc de discuter à travers les liaisons qui s’établissent entre ces différents textes et photographies la manière dans laquelle la construction de soi et donc d’une nouvelle figure de l’auteur est mise en pratique, débattue et théorisée à travers les écrits barthésiens de la fin des années 1970.


SANTOS, Marcelo | Universidade de Santo Amaro
Doxa e redes sociais digitais: quando a interatividade dá lugar à interpassividade

Em Roland Barthes por Roland Barthes, o par doxa/paradoxa é apresentado para, respectivamente, se referir ao estereótipo e à inovação, ou às oposições fadiga/frescor, prazer/desgosto do discurso. Neste trabalho, temos por objetivo recuperar a importância heurística destas noções, com acento especial na crítica barthesiana à doxa, a opinião comum opressiva e petrificante, ou o consenso pequeno-burguês, que, ao nosso ver, ligada a já citada paradoxa, funda o par opositivo que norteia a derradeira obra do filósofo francês sobre fotografia, a saber: studium e punctum. A complementariedade — e a atualidade — de doxa/paradoxa estudium/punctum é, finalmente, colocada à prova para a análise da mitologia contemporânea do sujeito ativo das redes sociais digitais: verba e visualmente, temos doxa e studium e, assim, o ser barrado pelo senso comum e pelos selfies da felicidade posada.


SILVA, Arthur Vinícius Dantas da | Universidade Federal do Rio Grande do Norte
“Uma paixão do neutro”: relações entre neutro e subjetividade

Em sua aula inaugural da cadeira de Semiologia Literária do Collège de France, Roland Barthes afirma que um ensino como o praticado pela instituição deve admitir sempre uma fantasia. Em seu segundo curso ministrado, intitulado O neutro (1977-1978), Barthes reafirma o compromisso de colocar a aula sempre à disposição de um desejo: “Lembrar aula inaugural: promessa de que a cada ano o curso, a pesquisa, partiria claramente de uma fantasia pessoal. Em resumo: desejo o Neutro, logo postulo o Neutro. Quem deseja postula (alucina)” (BARTHES, 2003, p. 30). Ora, como desejo (desejo de neutro), o neutro pressupõe um sujeito que, a priori, talvez, pudesse negá-lo, impossibilitando-o constituir-se como neutro, tendo em vista que, da maneira como Barthes o postula, o neutro seria a suspensão de qualquer paradigma (qualquer imposição arrogante de sentido, mesmo atrelada à uma edificação subjetiva). A definição do neutro como desejo não exclui, entretanto, a presença do sujeito. Sendo assim, o trabalho investigar como o neutro e esse sujeito que o deseja estão relacionados, quais as implicações que isso acarreta para a postulação do “objeto” feito por Barthes durante o curso e como esse neutro está presente (ou se deseja que esteja presente) na vida do próprio sujeito.


SILVA, Carla Cavalcanti e | Universidade Estadual Paulista – Assis
De Proust a Barthes: a busca pela literatura

Em seu ensaio “Durante muito tempo, fui dormir cedo”, publicado no Rumor da língua (1984), Barthes ressalta uma das características mais importantes da obra proustiana: não se trata nem de Romance, nem de Ensaio, mas de uma terceira forma. Essa forma seria a única possível a dar estrutura ao romance proustiano, que destaca, dentre outros elementos, a busca do próprio narrador por tornar-se escritor. Ao discorrer sobre essa nova lógica proustiana, Barthes se identifica com Marcel Proust, pois naquele momento, o crítico busca uma nova forma de escrever (a literatura) tendo como ponto de partida seu estado de luto, ou para usarmos um termo barthesiano, de acedia. O intuito desta comunicação é percorrer os escritos barthesianos que discorrem notadamente sobre Marcel Proust para analisar a importância do escritor francês na produção crítica e na escrita de Roland Barthes. Para tanto, propomos comentar fundamentalmente as obras: Novos ensaios críticos, O rumor da língua e a Preparação do romance.


SILVA, Márcio Renato Pinheiro da | Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Reversos da escrita: Roland Barthes e a poesia

Se um dos traços mais recorrentes à trajetória intelectual do ensaísta francês Roland Barthes (1915-1980) diz respeito à diversidade tanto de interesses quanto de saberes mobilizados em sua escrita, sua obra guarda uma constante ainda pouco discutida: trata-se de uma relação muito pouco ortodoxa com a poesia. Pois, em seu primeiro livro, O Grau Zero da Escrita (1953), a poesia moderna é banida do âmbito daquilo que, nele, compreende-se por “escrita” em razão de sua suposta recusa à história; já sobre a poesia clássica, ela não passa de uma prosa acrescida de adornos. A partir de então, e ao longo das décadas seguintes, Barthes muito pouco se atém à poesia senão em uma ou outra passagem circunstancial, muitas vezes, simplesmente reafirmando o já dito a respeito em O Grau Zero da Escrita. Ocorre que, em seu último curso no Collège de France, A Preparação do Romance I e II (ministrado entre 1978 e 1980 e publicado em 2003), Barthes, surpreendentemente, volta-se a uma forma poética extremamente breve e singular, o haicai oriental, o que dá vazão a diversas considerações sobre a poesia em geral. E o teor tanto de sua leitura do haicai oriental quanto de suas afirmações sobre a poesia em geral é radicalmente oposto a O Grau Zero da Escrita: agora, além de o haicai ser uma forma modelar de notação a partir da qual o ensaísta pretende articular seu romance por vir, a poesia é concebida como sendo uma prática delicada, sutil e, por isso mesmo, transgressora. O objetivo deste trabalho é discutir estas diferentes modulações da relação de Roland Barthes com a poesia, atentando, aí, à possibilidade de esta discussão poder projetar alguns contornos mais gerais de sua trajetória intelectual.


SILVA, Maria Luiza Berwanger da | Universidade Federal do Rio Grande do Sul / UNILASALLE
Roland Barthes e as representações da Alteridade

Com base na leitura da produção teórico-crítica de Roland Barthes, esta comunicação evidenciará a eficácia das representações da Alteridade para a abordagem da Literatura Comparada considerada do ponto de vista nacional e transnacional. Comparatista “avant la lettre”, Roland Barthes antecipou questões referentes à Alteridade e que constituem o “núcleo duro” do pensamento contemporâneo no que se refere à relação de textos de natureza diversa postos em intersecção. Assim, pois, tomando como ponto de partida o exposto, a presente comunicação analisará textualmente as figurações do Outro, dimensionando-lhes a eficácia para a leitura da textualidade, hoje.


SORIA, Salma | Universidade Veiga de Almeida
Barthes Editor de Moda

Foi observando revistas e catálogos da alta moda que Barthes escreveu “Sistema da Moda”. Esta curiosa análise, levou a descoberta de novas simbologias e a criação de um sistema original que identifica estruturas compreendidas no espaço entre a roupa e a moda.
Segundo o semiologista, a moda tende a “recitar o vestuário mais do que fabricá-lo”. Com a massificação do fast fashion, um dos seus maiores símbolos são as t-shirts estampadas com frases. A letra estampada sobre a camisa é hoje uma das peças de roupas mais vestidas e vendidas no mundo. Teria Barthes ao promover tal afirmação antecipado uma importante tendência de estilo que perdura desde o fim do século passado?
Ao analisar o tecido dentro da tautologia sintática como uma composição têxtil que rege suas tramas, Barthes exalta na práxis do vestir o aparecimento do sentido. Ao vestir um casaco por exemplo, o casaco estaria assumindo o lugar da pessoa. Novamente Barthes prevê na moda o surgimento do “Dress to sucess” elemento tão discutido por programas de tevês, blogs com looks do dia e capas de revistas de moda. “A moda só é infiel quando burla o sentido”: fashion-victims x normcore


STAFFORD, Andy | University of Leeds
Petite mythologie du ‘mwa’: Roland Barthes, était-il, est-il barthésien ?

Le désir, la possibilité de résumer le travail d’un écrivain dans un adjectif quelconque risque toujours de manquer la cible choisie. C’est pour cette raison qu’André Gide voulait maintenir, à tout prix, son rôle d’« être d’inconséquence ». Mais qu’en est-il pour le cas de Roland Barthes ? Un « être d’inconséquence », pour le sémiologue averti, ne jouira jamais d’un « degré zéro » de l’image ; car l’inconséquence est elle-même une conséquence. Comment déjouer alors, à l’âge médiatique, la classification meurtrière, tout en évitant le libéralisme irresponsable ou l’anarchisme spontanéiste ? En survolant la carrière de Barthes, nous proposons, dans cette communication, de sortir de la téléologie biographique, afin de prôner un Barthes multiple, voire « paramétrique ». Depuis le statut de « pupille de la nation » et de « tubard » dans sa jeunesse, jusqu’à l’intellectuel déclassé de la fin de carrière, la trajectoire de Barthes semble cautionner un récit biographique réversible ; mais, en dernière instance, ce récit réversible se révèle utopique : le classement posthume ne le tolérera toujours pas. Malgré la carence d’une « école Barthes », Barthes – heureusement – a, aura des conséquences.


TORRES, Pedro Henrique Couto | Universidade de Brasília
Efeitos do real: realidade e escritura em Roland Barthes

O presente trabalho pretende debater a produção ensaística de Roland Barthes na década de 1960. O argumento analítico será postulado desde “L’effet de réel”, de 1968, buscando um desenvolvimento crítico a partir da noção de particularidade e detalhe concreto. O percurso das teorias realistas novecentistas será considerado a partir do emblemático texto de Phillipe Sollers “Le roman et l’expérience des limites”, de 1965, no qual o realismo é entendido como um prejuízo a partir do qual o gesto escritural deva exprimir algo extrínseco, uma realidade fora do texto. A realidade, tal como assumida neste trabalho, será problematizada como uma instância textual que polemiza a referencialidade e os projetos miméticos de transposição do real.


ZACARIAS, Gabriel | Erasmus Mundus
Mitologias e a nova crítica da ideologia na França

Ao escrever Mitologias, Barthes não pretendia simplesmente catalogar os “mitos de hoje” – como sugere, por exemplo, a tradução italiana da obra. Seu objetivo não era de reificar a função “mítica” dos produtos da nova cultura de massas, mas sim, como entusiasta de Brecht que era, de produzir um “efeito de distanciamento” com relação a esses mitos. Em outras palavras, o livro de Barthes foi concebido como uma tentativa de renovação da crítica da ideologia, como revela o autor no seu prefácio de 1970. Distante da ortodoxia marxista, Barthes pode dar atenção àquilo que o marxismo oficial, dominado por um viés economicista, desdenhava como simples “superestrutura”. Ele tentara assim um ousado cruzamento entre Marx e Saussure, analisando os produtos culturais como veiculadores de significação, uma significação, ademais, dupla, pois o específico do “mito” seria justamente sua capacidade de ressignificação dos signos já existentes. Mitologias é, desta forma, um livro plenamente inserido no contexto de sua época. Sensível à explosão da indústria cultural no pós-segunda-guerra, influenciado, por um lado, pelo debate marxista (e suas carências) que domina a crítica de esquerda, e, por outro lado, pela linguística de Saussure que aparece como base do estruturalismo em ascensão nos meios acadêmicos franceses – movimento ao qual a obra Barthes contribui consideravelmente. Mas Mitologias deve ser também colocado em relação com uma das principais vertentes da nova arte de vanguarda que tem por característica a reapropriação de elementos da indústria cultural. A noção situacionista de “détournement” que busca dar conta dessa forma de criação artística pode bem ser aproximada da noção de “mito artificial”, notadamente em seu funcionamento linguístico. O objetivo dessa comunicação é, em suma, estabelecer relações entre o livro de Barthes e seu contexto intelectual (marxismo, estruturalismo) e artístico (“détournement” situacionista, “nouveau réalisme”).

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